Creative Commons: use com moderação.

O lançamento do Gabinete Digital pelo Governo do Rio Grande do Sul no último dia 24/05, serviu como uma espécie de desagravo para os descontentes com os rumos do MinC. Nas palavras do jornalista-ativista Renato Rovai, foi

Um tapa na cara com luva de pelica no retrocesso imposto pela atual gestão do MinC em relação a essa política pública adotada com grande sucesso durante o governo Lula.

Isso porque o sítio do Gabinete Digital é licenciado em Creative Commons (CC), mais específicamente como “Creative Commons – Atribuição – Partilha nos Mesmos Termos 3.0 Não Adaptada “(que por sinal não restringe o uso comercial). Ou seria melhor dizer “Atribution~ShareAlike 3.0 Unported” já que o link aponta para o sítio matriz estadunidense do Creative Commons, em INGLÊS?

Para deixar claro: todo o conteúdo do Gabinete Digital do Governo do Rio Grande do Sul está licenciado por um contrato de adesão em língua estrangeira, baseado em uma legislação estrangeira, controlado por uma entidade idem. Não sei porquê, mas eu tenho a ligeira, leve impressão de que tem alguma coisa muito errada nisso. Continuar lendo

Implosão da Ala Sul do Hospital Universitário Clementino Fraga Fº

Primeira experiência com a capacidade de video Full HD da Canon 7D. Infelizmente com o áudio do microfone interno da câmera.
Observar a ligeira trepidação no início da seqüência de detonação, resultado das ondas de choque, cujo “bafo” dava para sentir a mais de 210m de distãncia.
Como diria milha filha: tenso!
Como dá para observar, há problemas de enquadramento. As cabeças e pedaço de câmera aparecendo na parte de baixo do quadro, assim como os técnicos no canto direito não deveriam estar ali. Ocorre que eu estava mais preocupado em fotografar (still), o que fiz com uma 50D, sobre monopé. A 7D ficou presa com uma Superclamp+Ball Head, no alto de uma escada de alumínio de 7 degraus, sendo disparada 5 min. antes da detonação, e deixada rodando. Eu ajustei o nível, mas inadvertidamente deixei o EVF exibindo todas as infos a que tinha direito, de modo que não vi a câmera à frente no quadro. Os técnicos entraram depois, e aí a cãmera já estava rodando e por conta própria. Enfim…

Você está aqui. (Em memória de Carl Sagan 09/11/1934 – 20/12/1996)

Um Pálido Ponto Azul

Um Pálido Ponto Azul

Essa imagem de qualidade sofrível, sem definição, cheia de ruido e flare, é não obstante, provavelmente uma das mais importantes fotografias já feitas. Foi tirada há exatos 20 anos pela sonda Voyager 1, então há mais de 6 bilhões de quilômetros da Terra, nos limites do Sistema Solar, seguindo rumo ao espaço interestelar, onde deve estar agora, o que faz dela o artefato de construção humana a chegar mais longe, indo literalmente onde nenhum ser humano jamais esteve.
O que faz dessa fotografia, que causaria embaraço a qualquer fotógrafo amador, uma das mais importantes da história, é um pequeno pontinho, quase indistinguível do ruido de fundo:

Olhe de novo aquele ponto. É aqui. É o Lar. Somos nós. Nele, todos que você amou, todos que conheceu, todos de que já ouviu falar, cada ser humano que já existiu, viveram suas vidas. A soma de nossas alegrias e dores, milhares de religiões confiantes, ideologias, e doutrinas econômicas, cada caçador e coletor, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e cada camponês, cada jovem casal apaixonado, cada mãe e pai, criança promissora, cada inventor e explorador, cada professor de moral, cada político corrupto, cada celebridade, cada “lider supremo”, cada santo e pecador na história de nossa espécie viveu ali–numa partícula de pó suspensa em um raio de sol.

A Terra é um palco minúsculo em uma vasta arena cósmica. Pense nos rios de sangue despejados por todos aqueles generais e imperadores, para que, em triunfo e glória, pudessem ser momentâneamente os mestres de uma fração de um grão. Pense nas crueldades intermináveis imfligidas pelos habitantes de um canto daquele pixel sobre os vagamente discerníveis habitantes de algum outro canto, quão frequentes seus desentendidos, quão ansiosos por matar uns aos outros, quão fervorosos seus ódios.

Nossa pretensão, nossa imaginada auto-importânia, a ilusão de que ocupamos algum lugar privilegiado no Universo, são postas em cheque por esse pontinho de luz pálida.

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Look again at that dot. That’s here. That’s home. That’s us. On it everyone you love, everyone you know, everyone you ever heard of, every human being who ever was, lived out their lives. The aggregate of our joy and suffering, thousands of confident religions, ideologies, and economic doctrines, every hunter and forager, every hero and coward, every creator and destroyer of civilization, every king and peasant, every young couple in love, every mother and father, hopeful child, inventor and explorer, every teacher of morals, every corrupt politician, every “superstar,” every “supreme leader,” every saint and sinner in the history of our species lived there–on a mote of dust suspended in a sunbeam.

The Earth is a very small stage in a vast cosmic arena. Think of the rivers of blood spilled by all those generals and emperors so that, in glory and triumph, they could become the momentary masters of a fraction of a dot. Think of the endless cruelties visited by the inhabitants of one corner of this pixel on the scarcely distinguishable inhabitants of some other corner, how frequent their misunderstandings, how eager they are to kill one another, how fervent their hatreds.

Our posturings, our imagined self-importance, the delusion that we have some privileged position in the Universe, are challenged by this point of pale light.

Carl Sagan, Pale Blue Dot, 1994 ( em tradução livre)

Hat tip Jay Epperhart via Bad Astronomy